Metalinguagem ao extremo


Produzir um texto sobre o próprio ato de escrever requer; dedicação, calma e concentração pois, para introduzir esse tema, é preciso passar por etapas. Sua primeira parte é a introdução e nela é exigido que: tenha apenas 3 ou 4 linhas, aborde de forma misteriosa o que virá e não se alongue com detalhes.

A partir do segundo parágrafo expanda sua escrita, elenque de forma cronológica e correlacional o que seu tema tem a oferecer e, não se esqueça, primeiramente vc deve separar o que for necessário e postulá-lo adequadamente em uma ordem sintática. Após um ponto continuativo é necessário esforço para entoar palavras robustas e afáveis e além disso, caso seu texto seja num blog, comente em que você está pensando. Dê uma quebrada temática e semântica para o próximo parágrafo.

Neste terceiro ponto do texto você pode deixar seu furor poético enervar os mais nevrálgicos sentimentos e sentimentalismos lúdicos, românticos e belos. Não se esqueça de relembrar o que te faz escrever e o porquê dessa tamanha necessidade de passar esses sentimentos através de uma linguagem codificada. Não tema usar joguetes e figuras de linguagens; diga que o ato de escrever é como um raio de luz em um dia nublado, aponte que seu fazer é necessário, afirme que este produz sentido para sua própria existência. Se jogue neste pedantismo.

Por fim, conclua num só parágrafo - menor que os anteriores, contudo, maior que a introdução - que a escrita é sublime e libertadora. Não se esqueça de falar sobre o que te mantém escrevendo e revele ao o leitor as suas últimas angústias e lamentações. Escreva de forma sutil, inacabada e diga (Sem querer, nem perceber) que escrever sobre "o escrever" é uma pura metalinguagem.


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