O cauteloso
Marcos é um sujeito que não se deixa passar por nenhum tipo de perigo ou situação adversa. Sua marca registrada é ser pessimista e ter sempre uma saída, ou fuga, para tudo no mundo. Seus hábitos são muito peculiares e bastante ortodoxos, mas geralmente ele evita expor suas manias e precauções.
Quando Marcos sai a rua prefere evitar andar em dias muito chuvosos, pois segundo ele, essa é uma das maiores causas de acidentes de trânsito. Ele também opta sempre por andar ao lado direito da calçada, aparentemente porque o lado esquerdo fica próximo a pista e além disso, alguém pode se esbarrar nele e jogá-lo para o meio da rua. Marcos sempre usa guarda-chuvas ou o leva consigo na bolsa e defende a ideia de que um sujeito com guarda-chuva nas mãos sempre estará protegido de qualquer dado natural.
No serviço ele não costuma acreditar nas coisas com facilidade e isso de certa forma se justifica porque em sua profissão, programador, deve-se estar muito atento ao método sequencial e contínuo, passo a passo, pois, se acaso houver erro em algum procedimento ou em alguma linha de códigos por exemplo, o seu trabalho estará completamente comprometido. Ele trabalha no controle de trafego e é o principal responsável por alimentar no sistema o número das de placas de veículos em condição irregular e, por atuar em algo que requer muita atenção, Marcos não confia em sorte ou azar. Confia apenas que as coisas devem sair do jeito planejado e, para evitar que algo passe desapercebido, é bom estar sempre preparado.
Quando está em casa, Marcos nunca deixa qualquer vestígio de bagunça, desorganização ou insegurança. Desde suas sandálias, passando pelo fogão e indo até o televisor, tudo tem que estar em manutenção constante e, a depender do que for, a precaução e reparo devem ser diários. Ele acredita que haja constantes riscos de acidentes domésticos e também acha que a qualquer momento, uma fatalidade pode ocorrer.
Apesar de tanta precaução, cautela e pessimismo diante dos eventos do cotidiano, Marcos começou a se sentir muito nervoso e entristecido por viver constantemente se preocupando e se cobrando tanto. Por indicação de um colega de trabalho, começou a se consultar com uma psicóloga em busca de melhorarias emocionais. Ao longo das sessões Marcos refletiu sobre seus comportamentos excessivamente cautelosos e reparou que isso estava sendo danoso a si, com o tempo ele foi mudando um pouco até ter uma ideia.
Certo dia, no fim do expediente, Marcos decidiu pela primeira vez sair mais cedo do trabalho e ir para casa. Na manhã seguinte era num sábado e ele acordou um pouco mais tarde que o usual e saiu da maneira mais confortável possível - com sandália e bermuda - e resolveu andar sem destino pela cidade.
Ele caminhava pela avenida principal e tudo ocorria bem até o momento que alguém vinha com muita pressa passou rapidamente por ele e, de sem perceber deu um empurrãozinho em Marcos na direção do asfalto. Naquele momento Marcos estava tão disposto a romper com seus rituais cotidianos que até se esqueceu de usar o lado direito da calçada, ele estava na parte mais próxima da rua e, infelizmente a partir daí veio o pior.
Assim que a pessoa empurrou Marcos levemente, a correia da sandália dele (que não tinha sido vistoriada naquele dia) rompeu, ele se desequilibrou e caiu diretamente no meio da avenida e, quando seu corpo foi ao chão, imediatamente o pior ocorreu. Um carro que passava errante e em alta velocidade atingiu Marcos e o atropelou. Coitado dele.
O veículo era conduzido por um sujeito aparentemente embriagado e que no entardecer do dia anterior já excedera o limite de velocidade - Limite esse que não foi registrado no sistema porque o programador de tráfego saiu mais cedo do trabalho. Assim que o carro bateu em Marcos, ele caiu no asfalto, o motorista não parou para prestar nenhum socorro e foi feito um grande alvoroço. Todos se perguntavam se o pedestre ainda estava vivo.
...
Marcos escapou ileso do acidente pois, apesar de um dia cheio de infortúnios; de ter se esquecido de trocar a sandália e de andar do lado direito da calçada, ele estava levando seu guarda-chuva e este absorveu todo o impacto do carro no momento do acidente.
Marcos teve apenas leves ferimentos, não precisou passar sequer um dia no hospital e a partir desse dia ele esteve ainda mais convicto de que cautela nunca é demais pois quem é cauteloso vive duas vezes.
Certo dia, no fim do expediente, Marcos decidiu pela primeira vez sair mais cedo do trabalho e ir para casa. Na manhã seguinte era num sábado e ele acordou um pouco mais tarde que o usual e saiu da maneira mais confortável possível - com sandália e bermuda - e resolveu andar sem destino pela cidade.
Ele caminhava pela avenida principal e tudo ocorria bem até o momento que alguém vinha com muita pressa passou rapidamente por ele e, de sem perceber deu um empurrãozinho em Marcos na direção do asfalto. Naquele momento Marcos estava tão disposto a romper com seus rituais cotidianos que até se esqueceu de usar o lado direito da calçada, ele estava na parte mais próxima da rua e, infelizmente a partir daí veio o pior.
Assim que a pessoa empurrou Marcos levemente, a correia da sandália dele (que não tinha sido vistoriada naquele dia) rompeu, ele se desequilibrou e caiu diretamente no meio da avenida e, quando seu corpo foi ao chão, imediatamente o pior ocorreu. Um carro que passava errante e em alta velocidade atingiu Marcos e o atropelou. Coitado dele.
O veículo era conduzido por um sujeito aparentemente embriagado e que no entardecer do dia anterior já excedera o limite de velocidade - Limite esse que não foi registrado no sistema porque o programador de tráfego saiu mais cedo do trabalho. Assim que o carro bateu em Marcos, ele caiu no asfalto, o motorista não parou para prestar nenhum socorro e foi feito um grande alvoroço. Todos se perguntavam se o pedestre ainda estava vivo.
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Marcos escapou ileso do acidente pois, apesar de um dia cheio de infortúnios; de ter se esquecido de trocar a sandália e de andar do lado direito da calçada, ele estava levando seu guarda-chuva e este absorveu todo o impacto do carro no momento do acidente.
Marcos teve apenas leves ferimentos, não precisou passar sequer um dia no hospital e a partir desse dia ele esteve ainda mais convicto de que cautela nunca é demais pois quem é cauteloso vive duas vezes.

Adorei, Saulo =)
ResponderExcluirEu fiquei aqui tão agoniada com o cauteloso. Ufa! Ainda bem que o final é leve. Se ele morresse iria ficar muito chateada com ele.
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